quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Respeite o instinto animal

Ondas do mundo pet entram em nossas casas pelos meios de comunicação. A cada dia uma nova invenção, novos acessórios para nossos animais de estimação, sem contar o inimaginável mar de possibilidades que há à disposição, como SPA, tratamentos relaxantes, massagens etc. O boom dos pets trouxe uma variedade comercial de produtos - e que vontade de adquirir uma roupinha com babados, chapeuzinhos, capas de chuva, sapatinhos. Fica muito difícil resistir.

Entendo que as pessoas não conseguem separar o lado animal do lado humano. Para a maioria dos apreciadores de animais, eles são parte da família, moram dentro de suas casas, dormem em seus quartos, deitam em suas camas e comem em suas mesas (isso é mais comum do que se imagina).

A última novidade é o minipig, uma graça, parece um cachorrinho. O meu medo é que esse novo modelo de aquisição possa dar certo. Desculpem-me os criadores de suínos, mas vamos ter queda no consumo dessa carne. Ninguém vai querer comer um prato suíno com um minipig ao seu lado.

Um programa de televisão muito assistido é do psicólogo canino Cesar Millan, conhecido como o “encantador de cães”. O programa é muito interessante, mas o que mais me admira em Cesar é a correção dele, não nos animais, mas nos humanos. Ele ensina que cachorro não é gente. Não chame seu cachorro de filho ou filha. Ele não é seu filhinho e sim seu animal de estimação. Isso não quer dizer que você não o ame, aliás, você pode amar muito seu animal de estimação, mas lembre-se ele é um animal com instintos.

Não faça tudo o que deseja fazer nele. Por experiência própria, acabei esquecendo que cachorro é um animal e decidi cortar as unhas do meu grande amigo - sem ironias, porque acredito que seja meu grande amigo, mas meu amigo animal - e no final do trabalho ele me abocanhou ferozmente em questão de segundos. Claro que também em questão de segundos ele se arrependeu e ficou atordoado.

O culpado da história? Eu, apenas eu, que esqueci que cachorros são apenas cachorros e vivem com seus instintos e para mim restou o pronto-socorro. Lição da história: como diz Cesar Millan, “respeite a mãe natureza”.

Relação Perfeita

Certo dia ao saber sobre uma ninhada de cãezinhos abandonados me deparei filosofando sobre a relação homem-animal, mais especificamente homens e cães. Convido vocês a refletirem também e começo perguntando que tipo de ser vivo espera todo dia o nosso acordar e quando nos vê ou percebe que estamos acordados, faz a maior festa? Lembrem-se: todos os dias. Que seres vivos, ao sairmos para nossas tarefas diárias, nos levam até a porta e nos observam como se dissesse: "Vá com Deus, tenha um bom trabalho, mas vê se não demora muito". Que seres vivos latem, abanam o rabinho velozmente, pulam de contente quando chegamos em casa depois de um dia cansativo?

Novamente, que alegria é essa que os anima todos os dias e em todos os momentos? Mesmo quando estamos aborrecidos e por algum motivo lhes ofendemos, eles não ficam ofendidos, não ficam tristes, tristes até nosso próximo sinal de amizade. Está tudo bem e somos vistos com alegria, como se nada tivesse acontecido.

Um dia desses fui incomodar um dos meus, que é muito guloso, para que o outro pudesse comer também. Ele teve uma atitude um pouco agressiva comigo, mas, em questão de 1, 2, 3 segundos, parou a me observar com um olhar de arrependimento, como se quisesse pedir desculpas. E ficou ali me olhando e eu olhando para ele. Não tive raiva, nada, e aquele gesto de desculpa me desarmou. Que ser vivo erra e em poucos segundos admite seus erros? E quando viajamos, ficamos dias fora, meses, anos, que seres vivos nos recebem no portão loucamente, sabendo que há tempos não nos via e que, com saudade, se expressam em gestos grandiosos, muitas vezes comparados com gestos de loucura?

Eles sentem quando estamos tristes, quando estamos alegres e nestas duas situações estão lá do nosso lado. Se tristes, chegam de um modo discreto e com um olhar dizendo: "Oi! Estamos aqui contigo." Se alegres, chegam efusivos, dizendo: "Vamos brincar?" Talvez o único defeito deles seja o de serem gulosos, mas, quem não é guloso? Alguns devem ter pensado que o defeito seria o de não falar. No entanto, para que falar, se os olhos e as expressões corporais dizem tudo? E viva a relação perfeita!