quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Relação Perfeita

Certo dia ao saber sobre uma ninhada de cãezinhos abandonados me deparei filosofando sobre a relação homem-animal, mais especificamente homens e cães. Convido vocês a refletirem também e começo perguntando que tipo de ser vivo espera todo dia o nosso acordar e quando nos vê ou percebe que estamos acordados, faz a maior festa? Lembrem-se: todos os dias. Que seres vivos, ao sairmos para nossas tarefas diárias, nos levam até a porta e nos observam como se dissesse: "Vá com Deus, tenha um bom trabalho, mas vê se não demora muito". Que seres vivos latem, abanam o rabinho velozmente, pulam de contente quando chegamos em casa depois de um dia cansativo?

Novamente, que alegria é essa que os anima todos os dias e em todos os momentos? Mesmo quando estamos aborrecidos e por algum motivo lhes ofendemos, eles não ficam ofendidos, não ficam tristes, tristes até nosso próximo sinal de amizade. Está tudo bem e somos vistos com alegria, como se nada tivesse acontecido.

Um dia desses fui incomodar um dos meus, que é muito guloso, para que o outro pudesse comer também. Ele teve uma atitude um pouco agressiva comigo, mas, em questão de 1, 2, 3 segundos, parou a me observar com um olhar de arrependimento, como se quisesse pedir desculpas. E ficou ali me olhando e eu olhando para ele. Não tive raiva, nada, e aquele gesto de desculpa me desarmou. Que ser vivo erra e em poucos segundos admite seus erros? E quando viajamos, ficamos dias fora, meses, anos, que seres vivos nos recebem no portão loucamente, sabendo que há tempos não nos via e que, com saudade, se expressam em gestos grandiosos, muitas vezes comparados com gestos de loucura?

Eles sentem quando estamos tristes, quando estamos alegres e nestas duas situações estão lá do nosso lado. Se tristes, chegam de um modo discreto e com um olhar dizendo: "Oi! Estamos aqui contigo." Se alegres, chegam efusivos, dizendo: "Vamos brincar?" Talvez o único defeito deles seja o de serem gulosos, mas, quem não é guloso? Alguns devem ter pensado que o defeito seria o de não falar. No entanto, para que falar, se os olhos e as expressões corporais dizem tudo? E viva a relação perfeita!

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